Fazendo a cabeça
03/09/08
Depois de um começo de inverno com boas temperaturas e clima agradável, o mês de agosto
deu seqüência a dias frios e chuvosos. A maioria das ondulações que chegaram na Ilha,
teve forte influência dos ventos, não proporcionando um surf de alta qualidade nas praias
Catarinenses.
Com certeza quem ficou alerta e antenado nos boletins diários conseguiu surfar boas ondas, mas o fato é que,
os grandes swells esperados por alguns surfistas ainda não apareceram.
No inverno de Floripa, tudo pode acontecer. Para quem conhece a ilha e já presenciou a magia do lugar, sabe que em
questão de momento tudo muda e os clássicos dias de surf aparecem de forma mística.
O importante do surf é ficar ligado nos momentos e se conectar com a natureza da melhor forma possível.
Pode ser em qualquer época do ano, nas marolas, nas clássicas, nas morrancas, no frio ou no verão, o atleta
que estiver em sintonia com o oceano sempre vai fazer a cabeça.
Para o disciplinado e aquele que busca evoluir no esporte, o treinamento não pode parar. A procura de alternativas para
exercitar e manter a forma é super importante principalmente no inverno.
Conversando com alguns atletas do Nigiri, percebi o empenho em não se deixar tomar conta pelo comodismo do frio e, mais ainda,
não ficar parado nos dias em que a prática do surf é impossível. Para a maioria, o desafio em manter a forma nessa época é essencial.
Alongamento, natação, yoga e pilates, seja qual for o treino, para aperfeiçoar e melhorar o preparo físico, são fundamentais
para evoluir e não deixar cair no marasmo do frio e da água gelada.
Os atletas afirmam que independente das condições, o melhor caminho é seguir caindo na água. A prática de surfar é importantíssima para
aquele que não quer perder o ritmo e o “time” das ondas. Nessa batida, qualquer surfista em sintonia com o mar faz a cabeça,
o importante é a busca do atleta em evoluir e obter com aquele momento o sentimento mais puro de sua busca.
Durante o WQS que rolou na cidade de São Chico, na famosa Prainha, estive por lá e procurei acordar cedo todos os dias.
O frio estava de doer, chovendo bastante e com fortes ventos, impossível fotografar, na minha opinião. Em um dos dias,
quando estava indo checar as condições, encontrei Diego Rosa saindo do mar. Amarradão, ele falou que estava na água desde as seis horas.
Nessa conversa percebi, de fato, que a dedicação para ser um atleta profissional, vai além da minha imaginação e da forma como a maioria
dos surfistas de alma lidam com o surf e suas condições.
Dias antes, Diego estava na Europa com seu amigo e parceiro de competições Marco Pólo. Mesmo com as diversas correrias das viagens ele retornou
pra correr o Catarinense profissional. Já na semana seguinte estava correndo o WQS em São Chico, surfando às 6:00h da manhã, com as
condições totalmente adversas para a prática do esporte.
Tudo isso me fez refletir que a dedicação de um atleta vai muito além do que pensamos e que a forma de viver essa emoção
depende do ponto de vista de cada um.
Nesse campeonato de São Chico, outro atleta do Nigiri que se destacou foi Icaro Ronch, mostrando muito empenho e dedicação durante
a competição. O garoto passou por diversas baterias e fez um bom resultado chegando as quartas de final. Para um evento desse porte,
com um nível invejável de atletas, vale muito ressaltar o desempenho desse jovem promissor.
Neste inverno, as ondas não apareceram da maneira como esperávamos e pude aprender e ver os reais valores dos amantes do oceano.
O esforço de simplesmente estar dentro do mar é admirável por qualquer um. Foi esse o sentimento que tive quando subi no morro do
Lampião em busca de uma foto panorâmica.
De lá avistei outro grande atleta do Nigiri, o water e windman Dudu Schultz, surfando sozinho no meio da praia da Joaquina.
De longe, parecia que a sensibilidade e o prazer desse atleta estavam em perfeita sintonia com o vasto e magnífico universo oceânico.
Este é um exemplo dos momentos que me trazem esse prazer em observar e fotografar.
O surf, no meu ponto de vista, é a formula mágica na qual encontramos a paz dentro do coração. É a maneira em que cada pessoa enxerga
a sintonia de viver na natureza junto dessa imensidão azul.
Seja essa busca na competição, no free surf ou de apenas passar a arrebentação e estar dentro do mar.
A forma em que cada pessoa faz a cabeça está dentro de sua alma e na maneira de encontrar essa emoção de viver em harmonia com o OCEANO.